Para muitas pessoas, a palavra vocação ainda está associada exclusivamente à vida sacerdotal ou religiosa. Mas o chamado para viver a fé e colocar o Evangelho em prática também pode acontecer no cotidiano, no trabalho, na comunidade e nas diferentes realidades sociais.

É nesse caminho que Sandra de Assis Reis, moradora de Entre Rios de Minas, vive sua vocação como missionária leiga. Desde 1996, ela pertence ao Instituto de Seculares Missionárias, onde fez sua consagração a Deus e à causa do Reino.

Sua trajetória também está ligada à Pastoral da Juventude e às Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). Atualmente, atua no Movimento de Moradia Popular, na equipe de animação das CEBs, nas Santas Missões Populares e no Ministério da Esperança.

Nesta entrevista, Sandra fala sobre sua vocação, os desafios de viver a fé nos dias atuais e o significado de ser uma leiga consagrada.

O que significa ser uma missionária leiga?

Ser missionária leiga, ou consagrada secular, significa tentar ser sal e luz no ambiente em que estamos. É viver os conselhos evangélicos na realidade da vida, sendo pobre com os pobres, vivendo o amor numa dimensão de entrega e serviço, tentando ser obediente à Palavra de Deus encarnada na realidade em que estamos e atuamos.

Como você descobriu que esse era o seu chamado? E como você vive sua vocação hoje?

Descobri minha vocação a partir da Pastoral da Juventude e das Comunidades Eclesiais de Base. Quanto mais conhecia Jesus, pobre e próximo dos pobres, mais ardia em meu coração um grande desejo de segui-lo mais de perto.

Quais são os maiores desafios de viver a vocação leiga hoje? 

Os desafios estão mais relacionados ao contexto global da sociedade: individualismo, narcisismo, hedonismo e pouco interesse pelas causas coletivas, pela dimensão comunitária da fé. Há também as questões da polarização e da preferência da maioria das pessoas de seguir Jesus sem a cruz e uma Igreja sem o compromisso com o Evangelho.

Muitas pessoas associam vocação apenas à vida religiosa ou sacerdotal. Como você explica a vocação do leigo e da leiga?

Desde a Idade Média, a humanidade carrega uma ideia de que ser povo era estar na última categoria da santidade. Era uma ideia piramidal. Daí que ser padre ou freira era como acessar um grau de santidade e de garantia da salvação. O mundo era lugar do pecado,  da perdição.

Vieram os novos tempos, as revoluções e, sobretudo, o Concílio Vaticano II. O mundo passou a ser lugar da Graça, da Ação de Deus, lugar também da santificação. Mas ainda persiste a ideia de que Deus chama somente os sacerdotes e as religiosas. Mas não é verdade; cada cristão é chamado a responder SIM, com a vida e o coração, ao convite de Jesus para segui-lo como leigo/a, como consagrada ou como padre.